terça-feira, 19 de abril de 2016

LORD BYRON - 192 ANOS DA SUA PARTIDA


Byron ( 22-01-1788 a 19-04-1824)
O poeta britânico Lord Byron produziu uma literatura caracterizada pelo egocentrismo, a melancolia, o pessimismo, tristeza humana, angústia e até satanismo. Seu estilo de vida era boêmio. Vivia voltado para o vício, dando ênfase ao fumo, bebida e sexo.
Teve uma existência curta, apenas 36 anos. Mas foi o suficiente para ficar na história literária. A figura aventureira de Byron (amante e guerreiro) serviu de inspiração à juventude romântica, inclusive no Brasil, como exemplo Alvares de Azevedo.
Faleceu na Grécia, lugar onde literalmente ficou seu coração:

"Adorado na Grécia, Byron foi embalsamado e seu coração foi retirado e enterrado
em solo grego. Os restos mortais foram transportados para a Inglaterra, contrariando seus
desejos. Ao chegar a Londres, a Abadia de Westminster se recusou a receber o funeral, alegando que ele era um pecador irreparável. Mesmo assim, o cortejo fúnebre foi assistido por milhares de pessoas. Byron foi enterrado na Igreja Hucknall Torkard, próxima da Abadia de Newstead, ao lado de sua mãe e das demais gerações de sua família."(SOARES, 2005)



 VERSOS INSCRITOS NUMA TAÇA FEITA DE UM CRÂNIO


 (Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos) 


"Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito
Vê em mim um crânio, o único que existe
Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,
Tudo aquilo que flui jamais é triste.

Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;
Que renuncie a terra aos ossos meus
Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme
Lábios mais repugnantes do que os olhos teus.
...

Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,
Para ajudar os outros brilhe agora eu;
Substituto haverá mais nobre que o vinho
Se o nosso cérebro já se perdeu?

Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus
Já tiverdes partido, uma outra gente
Possa te redimir da terra que abraçar-te,
E festeje com o morto e a própria rima tente.

E por que não? Se as frontes geram tal tristeza
Através da existência -curto dia-,
Redimidas dos vermes e da argila
Ao menos possam ter alguma serventia."

Referência

SOARES, Fabiana Regina da Silva As cartas em língua inglesa de Lord Byron para Madame de Staël: uma tradução comentada.  Disponível em https://periodicos.ufsc.br/index.php/scientia/article/viewFile/12879/12035> Visualizada  em 12 março 2016.