terça-feira, 19 de abril de 2016

O ÍNDIO SEGUNDO VASCONCELOS


José Mauro  com  crianças índias

Em 1943 o Presidente Getúlio Vargas assinou em 2 de junho, o decreto 5.540, que criou o Dia do Índio, a ser celebrado nacionalmente em 19 de abril.  A data só foi estabelecida por causa da influência do Marechal Rondon. Ao esboçar este artigo não tenho a pretensão de fazer um ensaio sobre a história do Dia do Índio, nem tampouco levar o leitor a refletir sobre o que tem ou não para ser celebrado na data de hoje. Mas, quero aproveitar o tema para lembrar um escritor que conviveu muito tempo com os índios e trouxe  para seus livros a cultura indígena em seus mais variados aspectos ( culinária, língua, crença, costumes, agricultura, etc).  
Na qualidade de estudioso da obra de José Mauro de Vasconcelos apresento algumas personagens que ele criou ou quem sabe garimpou estas histórias e deixou para nós. No livro “Farinha Órfã” há um conto chamado “Primavera dos Enforcados” que mostra a paixão de Temacuíra por Júlia, filha de um fazendeiro, e paga um alto preço por isso. Já no livro “Longe da Terra”, o autor mostra o quanto os índios viviam na ociosidade às margens do  rio Araguia. Vasconcelos também narra o casamento de Deridu (índio) com Anarriro (índia) e aqui ele faz com tanta riqueza de detalhes que o leitor é transportado à própria aldeia para celebrar as bodas.  “Longe da Terra” não é ficção, é memória, e  por isso um livro indispensável para quem queira conhecer os primórdios de Leopoldina, atual cidade de Aruanã – GO.
Foi em Aruanã-GO onde ele escreveu o romance  “O Garanhão das Praias”, no qual ele mostra a dedicação da enfermeira Dottie aos índios. Fala dos poucos recursos que dispunha o Serviço  de Proteção aos Índios, futuramente FUNAI. José Mauro sempre gostou de estar no meio dos índios e entre os seus livros destaca-se sobre esse tema,  “Kuryala – Capitão e Carajá”, um romance com traços de vida real sobre a trajetória do  índio Kuryala, sua tribo, sua vida, o ritual da adolescência, etc. Lê-lo é aprender muita coisa sobre o nosso índio da tribo Carajá.  É também sofrer com eles, os índios, sempre ameaçados e  desrespeitados em seus direitos e soberania.
Proponho ao leitor que conheça mais sobre os livros de José Mauro de Vasconcelos, ele foi muito mais além do que o mais famoso dos seus livros “O meu pé de laranja lima”.

Francisco Martins

Referências:
VASCONCELOS.  José Mauro de. Farinha Órfã. São Paulo: Melhoramentos, 1977
___________. Longe da Terra.  São Paulo: Melhoramentos, 1969.
___________. Garanhão das Praias. São Paulo: Melhoramentos, 1970
___________. Kuryala – Capitão e Carajá. São Paulo: Melhoramentos, 1981