quinta-feira, 9 de julho de 2026
LITERATURA POTIGUAR: UM DIREITO QUE AINDA NÃO CHEGOU À SALA DE AULA
( A celebração do 9 de julho e o desafio de consolidar o ensino da literatura local nas escolas e na universidade)
No calendário
oficial do Rio Grande do Norte, o 9 de julho é reservado à celebração da
literatura produzida em terras potiguares. A data, criada pela Lei Estadual
nº 10.622, de 5 de novembro de 2019, pelo Deputado Estadual Sandro Pimentel,
simboliza o reconhecimento de uma
tradição literária que inclui nomes como Câmara Cascudo, Ferreira Itajubá, Manoel
Onofre Jr., Zila Mamede, Diógenes da Cunha Lima, entre tantos outros que
construíram a identidade cultural do estado.
Mas há uma
distância enorme entre o símbolo e a prática.
Passados mais de
seis anos da instituição da data comemorativa, a literatura potiguar segue
ausente do currículo escolar da rede pública estadual. Não há uma disciplina
específica de Literatura Potiguar nas escolas — e, o que é mais grave, também
não há na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), principal
instituição de ensino superior do estado.
Isso significa
que um aluno da rede pública pode percorrer toda a educação básica, ingressar
na universidade e concluir um curso de licenciatura sem ter contato sistemático
com a produção literária do seu próprio estado. Ele estuda a literatura
portuguesa, a brasileira, as escolas literárias europeias — mas não lê os
autores que nasceram e escreveram no mesmo chão que ele pisa.
A consequência é
dupla: empobrece-se a formação do estudante, que perde a oportunidade de se
reconhecer na produção cultural local, e fragiliza-se a própria cadeia
literária potiguar, que carece de leitores, críticos e divulgadores formados
desde a base.
Em 2022, a Lei
nº 11.231/2022 determinou a inclusão de obras de autores potiguares como
tema complementar nas escolas da rede estadual e particular. Foi um passo
importante, mas insuficiente. A lei trata a literatura local como "tema
complementar" — ou seja, algo que pode ou não ser abordado, dependendo da
disponibilidade e da boa vontade de cada escola ou professor. Não há
obrigatoriedade curricular, não há carga horária específica, não há formação
docente continuada para viabilizar o ensino.
Na Universidade
do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), existe a disciplina de Literatura
Potiguar no curso de Letras. É um exemplo que deveria ser replicado. Mas a UFRN,
que forma a maior parte dos professores de língua portuguesa e literatura do
estado, ainda não incorporou a disciplina nem como obrigatória, nem como
optativa regular em sua grade.
Não se trata de
substituir Machado de Assis ou Guimarães Rosa por autores locais. Trata-se de
integrar a literatura potiguar ao percurso formativo do estudante, com a mesma
naturalidade com que se estuda a literatura de outras regiões. Significa:
●
Criar a disciplina de Literatura Potiguar na grade
curricular da UFRN, ao menos como optativa permanente nos cursos de
Letras, formando professores preparados para ensinar o que é nosso;
●
Incluir autores potiguares no currículo da educação
básica não como apêndice, mas como conteúdo programático com carga horária
definida;
●
Produzir material didático acessível — antologias,
coletâneas, guias de leitura — para que professores tenham recursos para
trabalhar em sala de aula;
●
Investir em formação docente continuada, para que o
professor se sinta seguro e instrumentalizado para abordar a produção local;
●
Garantir acervo nas bibliotecas escolares, com obras de
autores potiguares disponíveis para alunos e professores.
O Dia
Estadual da Literatura Potiguar merece ser comemorado — com sessões
solenes, homenagens e eventos culturais. Mas a celebração não pode substituir a
política pública. Enquanto a literatura potiguar não ocupar seu lugar nas salas
de aula e nos currículos universitários, a data corre o risco de ser apenas um
marco simbólico sem correspondência na realidade.
A literatura de
um povo não se preserva apenas com leis e homenagens. Preserva-se formando
leitores. E leitores se formam na escola, com acesso ao texto, com mediação do
professor, com espaço no currículo. Não há atalho. O Conselho Estadual de
Cultura sabe disso, e em 2024 realizou várias sessões sobre esse tema da
Literatura Potiguar, no período de 25 de junho a 24 de setembro daquele ano, com
o intuito de que a Secretaria Estadual de Educação volte a ter essa disciplina
na grade curricular das escolas públicas. Aécio Cândido,
Tarcísio Gurgel, João Batista de
Morais Neto, Alexandre Alves, Humberto
Hermenegildo e Conceição Flores fizeram exposição no CEC. Ainda
esperamos que a Secretaria Estadual de Educação atenda esse clamor.
Que este 9 de
julho sirva não só para lembrar o que temos, mas para cobrar o que ainda
falta.
Francisco
Martins
30 ANOS DO INSTITUTO GENTIL - TRÊS DÉCADAS TRANSFORMANDO VIDAS E LEVANDO CONHECIMENTOS
quarta-feira, 8 de julho de 2026
terça-feira, 7 de julho de 2026
GALERIA NEWTON NAVARRO SERÁ REINAUGURADA DIA 9 DE JULHO
Depois de mais de cinco décadas sem passar por uma intervenção estrutural, a Galeria Newton Navarro será entregue à população em uma nova configuração.
A solenidade de reinauguração do espaço será realizada no próximo dia 9 de julho e, a partir do dia 10, a galeria estará aberta à visitação. As obras de requalificação e ampliação foram realizadas com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). O investimento foi de R$ 600 mil, por meio da PNAB.
Além das melhorias estruturais, a Prefeitura também iniciou, com recursos próprios, o processo de recuperação de obras do acervo que apresentavam danos causados pela ação do tempo, como fungos e manchas.
“Construída em 1975, a Galeria Newton Navarro não havia recebido uma intervenção dessa dimensão desde sua inauguração. Com a nova configuração, o espaço passa a comportar até três exposições de pequeno porte simultaneamente. A programação será aberta com uma mostra dedicada ao artista plástico Newton Navarro, que dá nome à galeria”, disse a secretária municipal de Cultura e presidente da Funcarte, Iracy Azevedo. A exposição tem como tema " Paisagens Inquietas em Newton Navarro".
A partir da reinauguração, a Galeria Newton Navarro funcionará de terça a domingo, das 9h às 16h, aberta à visitação pública com entrada gratuita.
Dia 9 de julho
17 horas
Local: Fundação Capitania das Artes
Galeria Newton Navarro
Avenida Câmara Cascudo, 434 - Cidade Alta
sábado, 4 de julho de 2026
CAMINHOS DO TEMPO
Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.
Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.
Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.
E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.
Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.
Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.
Seja luz, seja presença, e você será eterno.
Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.
Viva a VIDA .
Autor: Dr. Jahir Navarro, 98 anos
quinta-feira, 2 de julho de 2026
MINHA PRESENÇA NA REVISTA DA ANRL
Há um sentimento de felicidade que levarei comigo à eternidade. Trata-se da minha participação na Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras- ANRL. A segunda mais antiga instituição cultural do Rio Grande do Norte, que brevemente vai completar 90 anos de fundação.
A Revista foi criada em 1951, portanto, 75 anos de existência. Gosto de acompanhar a sua história e guardo com muito zelo, a coleção das revistas, desde o primeiro número até o mais recente.
Na última edição, nº 87, referente aos meses de abril a junho do corrente ano, foi publicada a minha 11ª participação nesse periódico. Desta vez, com um conto, "O Conclave dos Narizes". Por sinal, o mesmo já foi postado aqui. (vá até esse link e confira: O Conclave dos Narizes)



