sexta-feira, 21 de agosto de 2026
FAROL DA CULTURA - UM GRANDE PROJETO INTERINSTITUCIONAL
sexta-feira, 24 de julho de 2026
sábado, 4 de julho de 2026
CAMINHOS DO TEMPO
Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.
Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.
Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.
E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.
Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.
Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.
Seja luz, seja presença, e você será eterno.
Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.
Viva a VIDA .
Autor: Dr. Jahir Navarro, 98 anos
segunda-feira, 1 de junho de 2026
ESPERANÇA NA HUMANIDADE DE EDGAR MORIN: SABEDORIA NA COMPLEXIDADE DA VIDA
Por Gláucio Tavares Costa*
O amigo e pensador Ítalo de Melo Ramalho iniciou o seu ensaio Teatro das Cortes afirmando que a vida é como um teatro. Por caminho diverso, o filósofo alemão Arthur Schopenhauer também chegou ao entendimento de que a vida pode ser comparada a um teatro porque, assim como os atores, somos marionetes de uma força cega e insaciável: a "Vontade." O inesquecível compositor Gonzaguinha musicou a indagação: a vida é a batida de um coração ou seria uma doce ilusão? Responder às indagações de Gonzaguinha sobre a vida não é uma tarefa trivial. Sabemos.
Entreato, entre átomos, sugere-se que a vida pode ser uma organização de matérias e energias – que são expressões da mesma substância – imbuídas de animus. Calha dizer nesta reflexão que a substância dessa organização é a linguagem, regente desde aquela expressa disposição de aminoácidos – cada um em seu devido lugar como as letras deste texto – a formar os ácidos nucleicos, que servem de transcrição para a edificação de proteínas a estruturar dada vida de espécie vegetal, ou daquele animal ou de micróbios.
O grau de complexidade alcança as estrelas quando se fala na organização da coletividade humana. Ora, o homem tem natureza biológica, psicológica e social; ou seja, o homem é ao mesmo tempo totalmente biológico e totalmente cultural, e o cérebro, da biologia, e a mente (da Psicologia), são faces diferentes de uma mesma moeda, como apontado por CALUZI e ROSELLA (2024). Essa coligação de elementos proporciona a existência da vontade, do desejo, das emoções, do deslumbramento com o belo, da estranheza, da percepção do universo… Além disso, a vida é muito mais.
Diante dessas constatações, não se deve recusar a ideia de que a vida é uma expressão da complexidade e para tentar desnudar as complexidões é essencial desenvolver a visão crítica. Nesse desiderato, mostra-se como excelente companhia o epistemólogo da complexidade Edgar Morin.
De antemão, nas lições de Morin, questiona-se o paradigma da razão e a ciência como único modo de interpretar a realidade. Isto significa asseverar que outros métodos de conhecimentos são válidos, de modo que não são pode julgar heterodoxo a religação dos conhecimentos dispersos e a integração da cultura científica e da cultura humanística. Em outras palavras, na complexidade “tudo se liga a tudo”. Como o próprio autor afirma no livro Ciência com consciência: “A ciência nunca teria sido ciência se não tivesse sido transdisciplinar” (IZABEL, 2022).
Com efeito, a Teoria da Complexidade de Edgar Morin é uma abordagem crítica sobre a fragmentação do conhecimento e propõe a religação dos saberes dispersos ou seja: “contextualizar e globalizar saberes até então fragmentados e compartimentados...” (MORIN, 2000a, p. 06). Faz-se assim a união entre áreas como ciências humanas e exatas, cultura e filosofia para compreender a realidade de forma mais integrada e não linear. Para Morin, complexidade não significa "complicado", mas sim algo que é "tecido em conjunto" e que abrange a incerteza, a ambiguidade e a interconexão entre os fenômenos (PEREIRA, 2002). Superando a ideia simplificadora, a complexidade propõe o princípio da relação entre o objeto e o sujeito pesquisador-conceituador, que tanto o percebe quanto o concebe.
Diante disso, os pontos cardeais da Teoria da Complexidade de Edgar Morin podem ser considerados: crítica à fragmentação do saber: Morin critica a divisão rígida dos saberes em disciplinas isoladas, o que impede a obtenção de uma visão holística da realidade; religação dos saberes: a teoria defende a necessidade de unir conhecimentos de diferentes áreas para uma compreensão mais completa, como o ensino que integra história, sociologia, psicologia e economia; complexidade como "tecido em conjunto": o termo vem do latim complexus e refere-se à interconexão de elementos que formam um todo, incluindo o que parece simples e os limites do próprio conhecimento; aceitação da incerteza: a teoria reconhece que a realidade é não linear, caótica e em constante mudança, exigindo a aceitação da incerteza, da ambiguidade e da incompletude; transdisciplinaridade: propõe um trabalho integrado entre os saberes, indo além da multidisciplinaridade e interdisciplinaridade, e buscando uma união mais profunda entre os conhecimentos; aplicação na educação: no contexto educacional, a teoria sugere que os professores colaborem para criar aulas mais significativas, conectando os conteúdos com a realidade dos alunos, que são expostos a um mundo cada vez mais complexo; princípio do "pensamento complexo": trata-se da arte de reunir o máximo de certezas para lidar com o incerto, integrando informações e formulando esquemas de ação.
Comporta assinalar que Morin reflete na sua obra “Os sete saberes necessários à educação do futuro” sobre as necessidades da educação no século XXI, tratando de alguns problemas específicos, chamados de buracos negros, existentes tanto do ensino fundamental, médio e superior, e que são ignorados nos programas educativos, mas em sua opinião deveriam estar no centro das atenções dos que se preocupam com a formação de jovens e futuros cidadãos. Um dos problemas ou “buracos negros” abordados, refere-se ao conhecimento, fornecido pelo ensino, que fornece saberes, mas, não revela o que é de fato o conhecimento; e - nesse caso - incorre em dois outros problemas: o erro e a ilusão (CALUZI e ROSELLA, 2024). A referida obra oferece um catálogo dos sete saberes: (i) as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão; (ii) os princípios do conhecimento pertinente; (iii) ensinar a condição humana; (iv) ensinar a identidade terrena; (v) enfrentar as incertezas; (vi) ensinar a compreensão; (vii) a ética do gênero humano.
Edgar Morin nos advertiu, em suma, que enfrentamos persistentes ameaças à dignidade humana, como as armas de destruição em massa, a degradação ambiental, a total informatização dos dados relativos à vida pessoal, mas que há no nosso caminhar oportunidades de construção de um sistema mais rico e complexo, com grandes promessas para a humanidade. É essencial termos esperança!
REFERÊNCIAS
ALVES, Roger F. Pacheco (2020). Invenção de mundos como Dispositivo Complexo de Aprendizagem: cartografia de uma (trans)formação docente. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Pampa. Disponível em: <https://sites.unipampa.edu.br/sacci/files/2023/09/dissertacao-dispositivos-complexos-de-aprendizagem.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2025.
BLAY, Ênio Alterman (2024). Edgar Morin e o que chamamos de “pensamento complexo”. Revista de Ensino Superior. Disponível em: <https://jornal.usp.br/articulistas/enio-alterman-blay/edgar-morin-e-o-que-chamamos-de-pensamento-complexo-parte-1/>. Acesso em: 02 nov. 2025.
CALUZI, João e ROSELLA, Marcelo L. Aroeira (2024). Edgar Morin: A Complexidade subsidiando o ensino de Ciências. Disponível em: <https://fep.if.usp.br/~profis/arquivo/encontros/enpec/ivenpec/Arquivos/Orais/ORAL064.pdf#:~:text=Desta%20forma%20%C3%A9%20necess%C3%A1rio%20submeter%20%C3%A0%20reflex%C3%A3o,latino%20(complexus%20%E2%80%9Co%20que%20est%C3%A1%20tecido%20junto%E2%80%9D).>. Acesso em: 24 nov. 2025.
FONSECA, E. R. da. Schopenhauer e o teatro: ilusão, resignação e sabedoria de vida. Voluntas: Revista Internacional de Filosofia, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 67–83, 2018. DOI: 10.5902/2179378636053. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/voluntas/article/view/36053. Acesso em: 24 nov. 2025.
IZABEL, Petraglia (2022). Edgar Morin e o pensamento complexo. Revista de Ensino Superior. Disponível em: <https://revistaensinosuperior.com.br/2022/01/12/edgar-morin-e-o-pensamento-complexo/>. Acesso em: 02 nov. 2025.
ROLLEMBERG, Marcelo (2021). Cem anos de sabedoria e complexidades. Jornal da USP. Disponível em: <https://jornal.usp.br/cultura/cem-anos-de-sabedoria-e-complexidades/>. Acesso em: 02 nov. 2025.
PEREIRA, Reinaldo Arruda (2002). A Ciência Moderna, a Crise dos Paradigmas e sua relação com a escola e como o currículo. Dissertação de mestrado apresentado na PUC/MG. Disponível em:<https://bib.pucminas.br/teses/Educacao_PereiraRA_1.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2025.
*Gláucio Tavares é ensaísta, mestrando em Direito pela Universidad Europea del Atlántico, graduado em Farmácia pela UFRN e ativista político pela democracia.
quarta-feira, 18 de março de 2026
CINE SÃO JOSÉ - 35 MATINÊS
O legado mágico de um cinema de bairro.
No periodo de 1969 a 1975, entre seus 10 e 16 anos, o jornalista e escritor Alex Medeiros viveu no bairro das Quintas e experimentou intensamente as emoções da sétima arte no pequeno cinema São José, situado na Rua Pedro Novôa quase na esquina da Rua São Geraldo. Ali ele compartilhou com amigos a magia dos muitos estilos do cinema, do faroeste à comédia, do musical à ficção científica, da aventura de super-heróis aos épicos de piratas e guerreiros medievais.
Na calçada do velho "purguinha" (apelido que se dava na época às pequenas salas de projeção nordestinas) Alex também curtiu uma das suas grandes paixões até hoje: as revistas de histórias em quadrinhos e os álbuns de figurinhas.
Entre a fachada do São José e a lateral do Mercado Público, tudo virava um bazar a céu aberto, com meninos, rapazes e até adultos vendendo, comprando, trocando revistas e figurinhas. E tudo num tempo calculado até que o autofalante do cinema desse o sinal da abertura da bilheteria.
O Cine São José, que foi fundado no começo dos anos 1950 por José Avelino, funcionou até início dos anos 1980, sendo administrado na época de Alex pelo herdeiro Erivam Avelino e sua esposa Adália Moura.
Por muitos anos o jornalista alimentou o desejo de contar um pouco da história do cinema que lhe abriu as portas de um mundo mágico que ele habita até hoje. Várias vezes ele fez menções, em sua coluna de jornal que publica há quase 40 anos, às sessões que assistiu naquele pequeno espaço de entretenimento. Até que em 2024, seu amigo contemporâneo Maurício Designer, um artista de raro talento, mostrou-lhe uma maquete que havia acabado de fazer. Era o saudoso São José renascido em detalhes de massa, madeira e papel. Uma imagem espetacular como se enviada do passado em quatro dimensões.
No ano seguinte, 2025, Maurício surpreendeu de novo o amigo lhe presenteando com outra maquete, de menor dimensão mas com a mesma grandeza de saudade. Depois deu uma notícia que logo despertou o antigo sonho de contar sua aventura no São José: Dona Adália, a dona do cinema, morava perto dele e estava emocionada com as duas maquetes (obviamente houve uma terceira réplica para ela).
Então, Alex combinou umas tardes de conversas movidas a café e entrevistou Adália, colhendo tudo que precisava para registrar a existência do cinema que foi para ele a versão das Quintas de Cine Paradiso (o cinema consagrado no clássico filme do italiano Giuseppe Tornatore).
O livro Cine São José - 35 Matinês tem edição de Adriano de Sousa, projeto gráfico de Gustavo Lamartine e capa e fotos de Giovanni Sérgio a partir da maquete de Mauricio Designer.
Será lançado dia 9 de abril, quinta-feira, às 17h, na Academia Norte-Riograndense de Letras e Conselho Estadual de Cultura, na Rua Mipibu, 443, Petrópolis.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
RETRATO DO MEU SERTÃO
As plantas mudam a roupagem
Vê-se logo outra paisagem
De encher alma e coração
É Deus colocando a mão
Onde a seca castigava
Ninguém mais aguentava
Todo esse sofrimento
Vivemos outro momento
Do jeito que se aguardava
O sertanejo se alegra
Olha pro céu e agradece
Eleva ao Pai uma prece
Numa verdadeira entrega
E na fé que ele carrega
Ara a terra pra plantar
Se a semente germinar
A safra tá garantida
Armazenando comida
Pra na mesa não faltar
Sem perder a esperança
Esperando por mudança
Que há muito vêm prometendo
Você só sabe é vendo
A história é sempre essa
Aparece muita promessa
Entra ano e sai ano
O que não falta é plano
Mas fica só na conversa
Digo por experiência
Porque no sítio nasci
Um tempo bom que vivi
Em toda sua essência
Sobrava resiliência
Também era muito gostoso
Um lar sempre harmonioso
Com meus irmãos e meus pais
Tempo que não volta mais
E tornou-se muito saudoso
A gente vai pra cidade
E o sítio não sai da gente
Ao descrever em repente
Bate forte uma saudade
Mas foi por necessidade
Que deixamos aquele canto
Havia bastante encanto
Em nossa bela moradia
Onde ali se convivia
Sem medo e sem ter espanto
Tudo era muito ordeiro
A comida era mais pura
Podia-se comer gordura
De janeiro a janeiro
Um povo hospitaleiro
Bastante respeitador
Também muito trabalhador
Que jamais se cansava
Pois a luta começava
Do nascer ao sol se pôr
Lembrando esse passado
De grata recordação
Havia tempo pra oração
Vejam que grande legado
Tudo era mais sossegado
Não tinha essa agitação
De WHATSAPP e televisão
O banheiro era uma latrina
A luz de uma lamparina
Quando muito, um lampião
Hoje tá tudo diferente
Luz elétrica, água encanada
Ninguém senta na calçada
O longe está mais presente
O perto parece ausente
É assim no dia a dia
A chegada da tecnologia
Trazendo facilidade
E o que outrora era felicidade
Transformado em nostalgia
08-02-2025
Henrique Tadeu
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
MEDALHA DA RESISTÊNCIA: O MAIOR TROFÉU CONFERIDO AOS HERÓIS MOSSOROENSES
O Museu do Sertão guarda em seu acervo de raridades históricas uma peça de profundo significado: a Medalha da Resistência. Esta condecoração foi entregue em 13 de junho de 1977 pelo então prefeito de Mossoró, João Newton da Escóssia (1925-2017), com a presença do governador Tarcísio de Vasconcelos Maia (1916-1998). A solenidade de condecoração marcou o cinquentenário da vitoriosa defesa da cidade contra a tentativa de invasão do bando de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1897-1938), ocorrida na tarde de 13 de junho de 1927. A comenda foi outorgada como um reconhecimento oficial à coragem e à determinação dos cerca de 200 heróis que enfrentaram a sanha do "Rei do Cangaço", sendo entregue aos poucos sobreviventes da época e aos descendentes daqueles que já haviam falecido.
Com quase meio século de existência, este troféu é valorizado tanto por seu valor histórico quanto por sua beleza artística. Cunhada em bronze, a medalha possui 5 centímetros de diâmetro e pesa 58 gramas, apresentando inscrições e a gravura de uma igreja em alto-relevo. O templo estampado na peça é a Igreja de São Vicente de Paula, de cuja torre partiram os disparos estratégicos dos guardiões da cidade. Ainda hoje, o templo preserva em suas paredes as marcas de bala daquele confronto, materializando a memória da resistência mossoroense.
Diferente de honrarias contemporâneas, a Medalha da Resistência teve um propósito específico e singular: homenagear os homens que, de armas em punho, arriscaram a própria vida para proteger o solo mossoroense. Recentemente, em 2022, o atual prefeito de Mossoró Allyson Leandro Bezerra Silva instituiu a "Medalha Rodolfo Fernandes", destinada a homenagear anualmente cidadãos que prestam relevantes serviços ao município. Embora esta última medalha leve o nome do prefeito-herói Rodolfo Fernandes (1875-1927) — líder político que comandou a defesa de Mossoró em 1927 —, ela possui uma finalidade distinta da Medalha da Resistência de 1977, que permanece como o galardão máximo e exclusivo dos heróis que combateram diretamente os cangaceiros comandados pelo “Rei do Cangaço”.
Benedito Vasconcelos Mendes
quarta-feira, 14 de maio de 2025
VALÉRIO MESQUITA LANÇA AMANHÃ DOIS LIVROS NA SEDE DA ANRL
Todos nós, permanentemente, olhamos o tempo nos seus mais diversos significados: se é chuvoso ou quente; se está tarde ou cedo para chegarmos ou sairmos; os tempos de outrora, os de hoje e os vindouros; o tempo que o tempo faz e por aí em vante.
Mas, entre todos os escritores que conheço, poucos criaram uma relação tão forte com esse elemento - ora majestático ora corriqueiro -, o Tempo Rei, quanto Valério Mesquita. Não à toa, o seu primeiro livro, escrito no alvor da sua vida intelectual, foi intitulado “O tempo e sua dimensão”. Pequenos ensaios de um estudante de Direito tentando abarcar a dimensão do elemento mais inalcançável do universo.
Depois disso, Valério agregou essa palavra ao seu universo criativo a ponto de exibi-lo não apenas na sua temática notadamente memorialística, mas, várias vezes, nos próprios títulos dos seus livros. Como é o caso deste mais recente, “Na linha do tempo”.
E agora, talvez por um ditame desses senhor inescapável, Valério juntou a reedição do seu primeiro livro e o mais recente para lançá-los ao mesmo tempo.
É o que teremos nesta quinta-feira/15, a partir das 17 h, na Academia Norte-riograndense de Letras, com Valério autografando “O tempo e sua dimensão” e “Na linha do tempo”.
Jornalista
quarta-feira, 23 de outubro de 2024
A BODEGA DO SEU RAIMUNDO GALDINO
![]() |
| Um exemplo de bodega nordestina |
A frente do prédio era de duas portas e tinha um alpendre com um banco de carnaubeira deitada, sobre duas forquilhas de aroeira fincadas no chão. Embora a construção fosse de taipa, o piso era de cimento vermelho e a coberta de telhas artesanais, com uma calha de estirpe de carnaubeira no beiral do alpendre, formando uma bica, onde, no período das chuvas, a meninada tomava banho. Nos fundos da bodega, ao lado das prateleiras de madeira, havia uma porta, que se comunicava com a residência do proprietário. No oitão da bodega tinha uma vara de bambu, bem alta, com uma antena de rádio na extremidade. No interior da bodega, sobre uma pequena mesa de pau-branco, estava um rádio Philips a válvula, ligado a uma bateria de caminhão, que só pegava na frequência AM (ondas médias e curtas), pois ainda não existia FM. O rádio da bodega funcionava o dia todo, com muito chiado, retransmitindo a programação da Rádio Iracema de Sobral. Só era desligado à noite, quando começava a Hora do Brasil.
O balcão de madeira, revestido com folhas de zinco, exibia algumas moedas antigas furadas (pataca, cruzado e vintém), fixadas por pregos na parte de cima do balcão. Na extremidade do balcão, uma passagem com dobradiças de couro, que permitia levantar o tampo do balcão, quando o bodegueiro necessitava sair, para pegar algum produto pendurado nos caibros do espaço externo. A balança de pratos, o cutelo de cortar fumo de rolo, a guilhotina de partir rapadura, o rolo de papel de embrulho e a gamela com toicinho de porco salgado (sal preso) ficavam sobre o balcão. A pobreza regional era tão grande que a rapadura podia ser vendida em pedaços. Era comercializada por unidade, por banda (meia rapadura) ou ainda por pedaço de um quarto de rapadura. A lata de querosene (da marca Jacaré), com a bombinha de zinco, para bombear o querosene, acoplada a ela, localizava-se sobre um estrado de madeira no canto da parede.
Os gêneros alimentícios podiam ser comercializados no peso ou no volume. No litro eram vendidos farinha de mandioca, milho, feijão-de-corda e arroz-vermelho em casca. O litro era feito de madeira e tinha o formato quadrado. O produto era colocado dentro do litro, com o auxílio de um casco de cágado. O toicinho, a linguiça caseira, a carne de sol, a tripa de porco salgada, as carnes verdes (de bode, ovelha ou de porco), a banha de porco, o açúcar, o sal grosso, o café em grão, a goma de mandioca e outros alimentos eram vendidos por quilo. Comprava-se o sal grosso na bodega e em casa triturava-se no pilão, pois naquela época não existia sal moído. Seu Raimundo Galdino tinha muita prática de embrulhar com papel de embrulho, usando os dedos, os produtos vendidos, pois os gêneros alimentícios não eram acondicionados em pacotes, tudo vinha à granel. Para o querosene tinha medidas apropriadas, feitas de zinco, que depois de cheias eram despejadas na garrafa do freguês, usando um funil de zinco. Cada família tinha sua garrafa de comprar querosene, a qual era transportada pendurada no dedo indicador do freguês, pois a mesma tinha um barbante amarrado no gogó, que terminava em laço, para pendurá-la no dedo. A manteiga de garrafa, o óleo de coco, o mel de abelha (jandaíra ou mandaçaia) e o mel de engenho eram comercializados em garrafas de 600 ml. A bodega vendia de um tudo, pois na vila não existiam lojas nem farmácias. Além de alimentos, lá se comprava ferragens (enxadas, pás, machados, facas, lamparinas, ralo de flandres para ralar milho verde, facões, pregos e arame farpado); remédios populares; aviamentos (elásticos, cianinhas, bicos, linhas, agulhas, botões etc); aspiral para repelir muriçocas; sabão da terra; sabonetes; creme dental; chinelas de rabicho de sola e de pneu (tiras de couro e solado de pneu de automóvel); louças de barro (panelas, potes, quartinhas etc); cestos de cipó; artigos feitos com palha de carnaubeira (chapéus, bolsas, esteiras, urus, vassouras, surrões e outros); urupemas; abanos; cuias; cuités; gamelas; cochos e outros utensílios domésticos.
Parede e meia à bodega, morava Seu João Enfermeiro, um profissional da área da saúde que tinha muita habilidade e prática para curar as enfermidades dos habitantes daquela comunidade rural. Era um misto de enfermeiro, farmacêutico, dentista e de médico. Ele encanava braço, arrancava dente, aplicava injeção no músculo (não aplicava injeção na veia), costurava, com linha zero e agulha grande de coser tecidos, facadas e outros ferimentos. Ele também vendia meizinhas (raizes, folhas e outras partes de plantas medicinais, sebo de carneiro capado e banhas de animais, como banha de tejo, de raposa, de cobra cascavel, de galinha, de traíra, de cágado e de jia). A mulher do bodegueiro, Dona Ciça, era parteira e rezadeira, pois curava quebranto, espinhela caída, mau olhado, moleira caída e outras doenças de menino. Ela também curava, no rasto, bicheiras dos animais, com suas rezas.
Uma coisa que me chamava a atenção era a convivência pacífica de três animais que ficavam soltos, o dia todo, dentro da bodega, sem brigas. Uma gralha cancão para comer baratas, um gato para pegar ratos e um cachorro de estimação e guarda. Interessante que o gato e o cachorro eram adestrados para não comerem as carnes, toicinho e linguiça da bodega. Eles só se alimentavam em horário certo e dentro da casa do bodegueiro, nunca no interior da bodega. Também, o gato não perseguia o cancão.
A bodega do Seu Raimundo Galdino vendia doses de cachaça no pé do balcão, com tira- gosto de queijo de coalho. A cachaça vinha da Serra da Meruoca, em ancoretas feitas de imburana, sobre lombos de animais.
Seu Raimundo Galdino era um senhor de muito respeito, imprimia em sua bodega um ambiente familiar, onde mulheres e crianças faziam compras com segurança. Embora fosse um estabelecimento comercial de muita ordem e seriedade, não deixava de ser também o local onde as notícias e as fofocas chegassem em primeira mão. As novidades, como doenças, queda de cavalo, chifrada de touro brabo, coice de vaca, coice de burro ou de cavalo sofrido por algum membro da comunidade, primeiramente, eram noticiadas, de boca em boca, a partir do bodegueiro. Ele tinha prazer em comunicar, em primeiríssima mão, as novidades locais e as notícias que captava pelo rádio. Quando alguma mocinha da vila engravidava, também ele era o primeiro a saber, pois seu vizinho, João Enfermeiro vendia Cabacinha e Babosa para fazer chá para abortar e ele não se continha em não contar para o seu vizinho e compadre Raimundo Galdino, o segredo precioso de quem comprava estas ervas. O bodegueiro sabia a vida de todos os habitantes da vila Caracará e vizinhanças.
Quase todas as compras neste ponto comercial eram feitas fiado, na caderneta, para serem pagas, semanalmente, no sábado à tarde, embora um cartaz pregado na parede anunciasse: FIADO SÓ AMANHÃ.
As bodegas sertanejas eram parecidas uma com a outra, de modo que mudava apenas a qualidade e a variedade dos produtos, sendo algumas mais sortidas e outras mais simples.
Benedito Vasconcelos Mendes
Engenheiro Agrônomo, Mestre e Doutor. Professor Aposentado da UFERSA e da UERN. Sócio Efetivo da ANRL e da AMOL.
segunda-feira, 2 de setembro de 2024
SOB A PROTEÇÃO DE SÃO JOÃO (ASSU/RN) E A LUZ BENDITA DE SANTA RITA (SANTA CRUZ/RN) O PROJETO DAS DIOCESES CAMINHA...
O sonho longínquo de constituir novas dioceses no território potiguar ecoou na mente e no coração dos pastores das igrejas locais de Natal/RN e Mossoró/RN.
O dia 8 de junho de 2024 foi uma data histórica para a Arquidiocese de Natal/RN. Com a Celebração Eucarística presidida pelo Arcebispo Metropolitano, D. João Santos Cardoso, foi oficialmente instalada, na matriz de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz/RN, a Comissão de Estudos para a criação de uma nova diocese no estado do Rio Grande do Norte.
Na homilia, D. João apresentou a necessidade de mais uma sede diocesana com a finalidade de melhor atender as demandas pastorais do povo de Deus e anunciar a todos a Boa Nova.
Contudo, considerando a dimensão territorial da Província Eclesiástica do RN (Natal, Caicó e Mossoró), percebeu-se a necessidade de propor a criação de uma outra diocese desmembrada da Arquidiocese de Natal/RN e da Diocese de Mossoró/RN. Por essa razão, no dia 24 de junho, na Celebração Eucarística de Encerramento da Festa de São João Batista de Assu/RN, D. Francisco de Sales Alencar Batista, bispo diocesano de Mossoró/RN, anunciou a parceria com a Arquidiocese de Natal/RN, integrando a cidade de Assu como possível sede episcopal.
Na ocasião, foi anunciado o grupo de presbíteros que seria integrado à comissão arquidiocesana. Ambos trabalharão conjuntamente um único projeto.
Dando sequência, a Comissão Interdiocesano iniciou os trabalhos com uma primeira reunião na cidade de Assu/RN, no dia 18 de julho de 2024. Nesta reunião, foram criadas as subcomissões compostas por padres, religiosas, leigos e leigas.
As subcomissões com suas atribuições foram definidas da seguinte forma:
SECRETARIA (Atas das reuniões; Cronograma de reuniões; Preparar comunicações e pedidos oficiais; ARQUIVAMENTO de material físico e virtual (google drive) e revisão de cada material para a versão final...);
COMUNICAÇÃO (Preparar e unificar material de publicação e pequenas informações...)
PATRIMÔNIO E ECONOMIA (Levantamento do que é necessário para estrutura da Sede: cúria, seminário; residência, veículo e verificar a movimentação financeira das dioceses e dos territórios isoladamente...)
PASTORAL (Levantamento de paróquias, capelas e áreas pastorais, movimentos, serviços e pastorais presentes, novas comunidades, congregações...);
RELATÓRIOS (Organizar relatórios, destacando os elementos históricos, geográficos e socioeconômico e cultural dos territórios das possíveis novas dioceses...)
É competência de os membros das subcomissões reunir-se previamente para elaborar um cronograma de atividades tendo em vista a construção de um projeto comum que ao final será encaminhado para Nunciatura Apostólica em Brasília/DF.
Pe. José Freitas Campos
Prof. Tállison Ferreira da Silva
terça-feira, 20 de agosto de 2024
CASCUDIANAS
Nem só dos livros circunspectos de pesquisa sobre a história de tudo pode-se ler o Mestre Cascudo. O sabor da sua leitura está, principalmente, na prosa humorada e despojada dos livros "Pequeno Manual do Doente Aprendiz", "Na Ronda do Tempo", "O Tempo e Eu, "Ontem". São viagens sobre si mesmo. Cascudo falando de Cascudo. Pensamentos, flagrantes da vida comum, refletidos com a humildade de um sábio ("Ah! Se a gente soubesse o que julga saber...")
Longe o propósito de comentar, criticar a sua vasta obra já por tantos analisada e estudada em livros, palestras, etc, mas o conjunto de sua produção mental, post-centenário, não pode deixar de ser comentada, re-estudada e debatida permanentemente porque ele escreveu para a humanidade. Ambas são eternas.Detenho-me, tão somente, a pinçar algumas reflexões cascudianas e poucas histórias ditas ao sabor da pena, já que o mestre é mais lido fora do que dentro do RN.
01) Do seu "Pequeno Manual do Doente Aprendiz" (um dos três mais "íntimo e confidencial" dos seus livros) narra a seguinte história: O cel. Toscano de Brito contou-me um episódio documentador. Era capitão, morava no Alecrim, tomando o bonde elétrico diante do Asilo de Alienados. Uma tarde, vestido à paisana, Toscano aguardava o veículo, desenhando na areia com a ponta da bengala. Detrás da janela gradeada de ferro um internado olhava-o. Começou o diálogo: "Que está fazendo aí?". "Nada". "E porque está riscando o chão?" "Por nada". "Tome cuidado! Migué de Lianô começou assim...". Miguel de Lianor era o próprio doido conversador.
02) Reflexões: "Ninguém está sozinho quando pensa", "Análise integral desfaz o objeto". "Aquele monturo é o resíduo das coisas úteis que envelheceram". "Técnica! Quantos crimes cometidos em teu nome!...". "Alguns vivem como os velhos viciados de cachaça: fazem caretas mas bebem sempre". "Homem irado Homem armado". "Cinquenta por cento do que dizemos é inútil". "Ah! Se a gente soubesse o que julga saber...".
03) "Luís Antonio, meu professor de História Natural, de sedutora eloquência, era ateu... Com a graça de Deus. Uma vez, dando uma injeção na garganta de um internado, a agulha soltou-se do êmbolo: "Valha-me Nossa Senhora!",exclamou.
04) "Numa operação de apendicite, então extraordinária, Januário Cicco, também ateu, não encontrou o apêndice. Procurou-o, já inquieto, e quando o deparou, atrás do fígado, explodiu: "Graças a Deus! Cá está este cachorro...".
05) "Uma estória muito gozada, no velho tempo do Hospital Juvino Barreto, foi o Dr. Januário Cicco, diretor e cirurgião devoto grande sacerdote do bisturi, tem sido compelido a extrair um molar com o Clidenor Lago, o chefe dessa sessão. Clidenor deu a injeção e voltou-se abrindo a gaveta para escolher o boticão. Quando olhou para a cadeira, Januário havia desaparecido, com injeção e tudo...".
Valério Mesquita
sábado, 17 de agosto de 2024
SANTA CRUZ - DE PARÓQUIA SANTUÁRIO À FUTURA SEDE EPISCOPAL
Quem viaja saindo de Natal, com destino ao sertão do seridó, passando necessariamente, por Santa Cruz ou até mesmo quem vai em romaria com destino a este Santuário de Santa Rita de Cássia certamente, não vai ser possível, captar a riqueza espiritual da fé e da religiosidade deste povo em sua totalidade. É preciso resgatar, ressignificar e revalorizar este universo cultural e histórico tal qual ele significa para os nossos dias. É um belo caminho a ser trilhado.
Quando entramos em comunicação com alguém o primeiro passo é sempre perguntarmos qual é o seu nome. Em se tratando de cidades são os topônimos. Cada um tem sua história a ser desvendada. Santa Cruz já se chamou com o título de Santa Rita da Cachoeira, do Trairi e do Inharé. O primeiro deles se refere a uma fazenda localizada nestas terras. Este local foi escolhido para implantação do povoado porque a localidade de cachoeira oferecia água suficiente para o consumo de um núcleo populacional. Com o passar dos anos o povoado foi também mudado de nome. Depois passou a se chamar por algum tempo Santa Cruz da Ribeira do Trairi como referência explícita ao rio que banhava a cidade.
Por último Santa Rita do Inharé um nome que se refere a uma lenda que justifica a origem da cruz ao nome dado ao lugar: "muitos anos, já ia adiantada a colonização do alto sertão, e as terras da cachoeira do Trairi continuavam despovoadas. Diziam os primeiros que ali se aventuraram, que era impossível viver naquelas paragens, porque ao quebrarem os ramos do inharé (árvore sagrada) as fontes secavam e todos os animais tornavam-se ferozes. Um santo missionário lembrou-se um dia, de fazer uma cruz dos ramos do inharé e abençoá-la: então os malefícios cessaram como por um encanto; das fontes jorrou água cristalina; as aves cantavam o hino da natureza em festa. A terra ficou desde então, conhecida como Santa Cruz do Inharé".
O fato é que a cruz feita com os ramos tornou-se santa na crendice popular e isso é tão forte que muitos ainda chamam a localidade como Santa Cruz do Inharé.
Trata-se de um mito cosmogônico cujo resgate é por demais necessário. Outrossim podemos afirmar que quando a Paróquia foi instalada no ano de 1835 a população já se enriquecia com esta história mítica e lendária que tem tudo a ver com o início do cristianismo em terras do Trairi.
A presença dos colonizadores, primitivamente habitada pelos índios tapuios, representou o início de uma embrionária atividade pastoril na imensa área situada entre o agreste e o seridó do Rio Grande do Norte. Contudo, a história registra que esse esforço colonizador nas ribeiras do Rio Potengi e Trairi não conseguiu aglutinar um contingente organizador.
Não podemos encerrar estas breves reflexões sem uma referência direta à festa da paróquia e cidade padroeira de todos os santa-cruzenses e visitantes que louvam e bendizem a sua excelsa padroeira. O dia 22 de maio encerra sempre uma comemoração ímpar e única, festiva e popular. Que Santa Rita, patrona e protetora deste povo aponte o caminho que devemos seguir em busca de um novo amanhã. Ela transforma as nossas mediações humanas e nos faz superar os limites das mesmas.
Este é o caminho que devemos seguir na criação de uma nova Diocese, Igreja Local, Igreja Particular na Província Eclesiástica do Rio Grande do Norte. Que assim seja!
Pe. José Freitas Campos - Do Presbitério de Natal.
quinta-feira, 1 de agosto de 2024
QUERIDO IRMÃO PADRE...
O mês vocacional (agosto) e o dia do Padre ( 1º domingo) nos faz refletir sobre a nossa identidade sacerdotal e o nosso seguimento a Jesus Cristo. Todo tempo é tempo de se recompor para continuar a caminhada no contexto de uma igreja Sinodal e Missionária. O Presbitério como um corpo onde o Bispo juntamente com os presbíteros, vinculado pela missão, buscam viver na comunhão partilhando anseios, sentimentos, desejos, projetos, dificuldades e conquistas.
Pensemos juntos nas dificuldades que muitas Dioceses enfrentam com relação a construção do Reino. Ente elas a sobrecarga de trabalho, o número reduzido de Presbíteros e outras lideranças, além de grandes distâncias geográficas e meios de comunicação e locomoção precários. Daí a necessidade de firmarmos passos na implementação de uma Pastoral Presbiteral que tenta buscar encaminhamentos para todas as sombras e desafios que enfrentamos nos dias atuais.
Reflitamos nas várias etapas e fases que compõem a nossa vida. Embora não possamos determinar de modo matemático é possível destacar algumas etapas: 1º juventude sacerdotal: dizem alguns que são os primeiros cinco anos de ministério. É a fase da inserção. Dos primeiros êxitos e fracassos. Para alguns chega até os 30 anos de idade. 2º fase da maturidade: situada entre os 30 a 50 anos. É a fase da realização mais intensa, fundada na experiência que se vai adquirindo. 3º fase da plenitude, está entre os 50 e 65 anos. Apontada como sendo o tempo da definição de uma espiritualidade madura. 4º fase etapa da sabedoria: dos 65 aos 75 anos. Tempo de uma revisão profunda de toda a existência. A certeza de seu valor e importância para a comunidade e para o Presbitério, com toda a sua bagagem, pode dar sentido a esta fase, e colaborar na realização de quem vive esta etapa.
Por ultimo a etapa jubilar a partir dos 75 anos na qual se vive a alegria do dever cumprido e da maturidade alcançada. Aqui podemos partilhar experiência adquirida de maneira mais livre. Para os que vivem esse momento sabemos que é importante a presença de todo o Presbitério. Diante de todas estas etapas percebemos o quanto é importante a Pastoral Presbiteral. É ela que deve estar atenta para respeitar e considerar cada momento da vida do padre. Sentimos ser uma necessidade urgente. “ Ainda tens longo caminho a percorrer” levanta-te e come (1 Reis, 19,7). Precisamos ser cuidados para melhor cuidar. Somos sabedores dos nossos limites mas conhecemos também nosso potencial. Precisamos de estímulo e apoio para a comunhão fraterna, solidariedade, compreensão e acolhimento. São elementos indispensáveis de uma Pastoral Presbiteral.
Em suma, percebe-se um interesse maior em descobrir ou construir uma espiritualidade própria do Padre diocesano, além de uma rica contribuição de grupos de espiritualidade tais como: Prado, Ordem Terceira Franciscana, Folcolares entre outros. Alguns promovem encontros dos padres em pequenos grupos, por afinidade ou por tempo de ordenação. Intercedamos ao Senhor da messe para que o Bispo com os Presbíteros e estes com o Bispo promovam um ambiente saudável, de unidade e amizade, na Igreja Local, na plena consciência de serem juntos Sacramento do Corpo de Cristo. Parabéns, Padres irmãos pelo nosso dia!
Pe. José Freitas Campos do Presbitério de Natal-RN.
segunda-feira, 29 de julho de 2024
A VINGANÇA FANTASIADA NA RUA DO PATU
![]() |
| Gláucio Tavares |







