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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

UMA CONVERSA SOBRE CASCUDO HOJE À NOITE

 

Em comemoração à Semana do Folclore, uma homenagem ao mestre que dedicou sua vida a ouvir, registrar e interpretar a cultura brasileira.
 
Quatro décadas após sua partida, Câmara Cascudo continua presente na memória e na identidade cultural brasileira. Sua obra permanece como uma das mais importantes referências para aqueles que estudam, pesquisam, preservam e vivenciam o folclore, a cultura popular, a tradição oral e os saberes do povo brasileiro. Por isso, este encontro não pretende apenas recordar sua trajetória. Propõe, sobretudo, revisitar seu pensamento, compreender sua atualidade e refletir sobre a maneira como seu legado continua inspirando pesquisadores, educadores, artistas, comunicadores e todos aqueles comprometidos com a preservação da cultura brasileira.

Convidados: 

1. DALIANA CASCUDO - Neta de Luís da Câmara Cascudo e Presidente do Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo
Tema: “Memória, vida e legado de Câmara Cascudo”

2. PROF. DR. ANDRIOLLI COSTA - Professor do PPGCom e da Faculdade de Comunicação Social da UERJ e Presidente da Rede Folkcom
Tema: “Câmara Cascudo e o folclore brasileiro no século XXI: permanências, desafios e novas linguagens”

3. PROF. DR. PAULO NICCOLI RAMIREZ
Professor • Cientista Social • Filósofo
Tema: “Câmara Cascudo e a identidade cultural brasileira: tradição, memória e pensamento social”

4. RUBERVAL CUNHA - Palestrante • Ator Performático • Poeta Repentista • Professor

E para encerrar esta noite especial, a palavra ganhará voz, corpo, poesia e movimento.
Ruberval Cunha apresentará “A Palavra Encantada de Câmara Cascudo”, uma proposta cênico-poética inspirada na tradição oral brasileira, reunindo poesia, performance, musicalidade e narrativa.

Uma realização: IOV Brasil - @iovbrasiloficial 
UNIJUÍ - @unijui
Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo

LINK – CONFIRMAÇÃO OFICIAL
Segue o link para inscrição no evento: https://virtual.unijui.edu.br/Portal/Eventos/40-anos-de-encantamento-de-camara-cascudo/inscricao
#ludovicus #iovbrasil #unijui #ciclodepalestras #40anosencantamentocascudo

terça-feira, 4 de agosto de 2026

CÂMARA CASCUDO E O CEC/RN


Qual a ligação que teve Câmara Cascudo com o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte? Ele foi um dos fundadores desse Conselho. Teve mandato , nomeado por Decreto do Governador do Estado, Monsenhor Walfredo Gurgel, em 10 de abril de 1967, publicado no dia seguinte no Diário Oficial do Estado.

Assinou a ata de posse (24.04.1967) e participou da Sessão de Instalação Oficial do CEC, no dia 5 de abril de 1968. e, por sofrer com problemas de audição, pediu renúncia do cargo, em 1968, que foi  aceita pelo Governador.

Segue o  Requerimento de Câmara Cascudo:

"Exmº Sr. Governador do Estado:

Vossa Excelência muito me penhorará dignando-se conceder-me  exoneração do cargo de membro do Conselho Estadual de Cultura, com que fui distinguido. A  crescente surdez incurável, não permitindo audição grupal, incapacita-me para os trabalhos de conjunto, não percebendo a exposição, debate e solução dos assuntos, determinando humilhante e cômica situação pessoal, incompatível com a própria finalidade harmônica da entidade para qual a Vossa Excelência me honrou com a desvanecedora nomeação.

Minha ausência não inclui desinteresse e reafirmo o desejo de colaboração nos limites das minhas possibilidades. Antecipadamente grato pelo deferimento e, de Vossa Excelência, atento servidor.

5 de abril de 1968.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

CEC VAI FAZER SESSÃO ESPECIAL PELOS 40 ANOS DE SAUDADES DE CÂMARA CASCUDO

 

O Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte estará reunido amanhã à tarde, em sessão especial, lembrando os 40 anos de saudades de Câmara Cascudo. Além dos Conselheiros e Conselheiras estarão também presentes a Diretoria do Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo e o Professor Humberto Hermenegildo. A oradora oficial será a  Conselheira Eulália Duarte Barros, Vice-Presidente do CEC/RN

sexta-feira, 18 de julho de 2025

O FOGO DE JOSÉ DA PENHA


 
A história dessa ocorrência está contada por Câmara Cascudo: 

    "São cinzas mornas. José da Penha Alves de Souza, 1875/1914 capitão do Exército, homem de excepcional vibração intelectual, jornalista, orador, crítico literário polemista, voltou ao Rio Grande do Norte tentando interromper o ritmo das sucessões governamentais mantidas pelo partido dominante. Criou uma figura desconhecida para o povo, o tribuno político. Levou a propaganda para a rua da capital e das vilas do interior. Não era possível vencer, mas os fulgores de uma eloquência semeadora de energia construtora clarearam o próprio ambiente. Apresentou José da Penha um oficial do Exército, Leónidas Hermes da Fonseca. Foram, em 1913, meses tumultuosos que a imprensa local registra. Jamais se repetiu outra intensidade que empolgasse em tal nível o espírito coletivo. Voltando de suas incursões ao interior, doente e cansado, já descrente do seu candidato, José da Penha teve sua residência continuamente cercada, sob vários pretextos. Era o casarão em que me criei, desaparecido para dar lugar ao Grande Hotel, da Praça José da Penha.

   Na noite de 20 de julho de 1913, durante pouco mais de vinte minutos, segundo uns, uma hora, segundo outros, a cidade foi sacudida pelas descargas de armas de repetição. José da Penha, dentro de casa, com alguns amigos, não possuía recursos de reação, além de sua coragem pessoal. Apareceu uma bandeira branca e o fogo cessou. O tempo soprou nessas recordações que ainda vivem na memória popular. Uma página comum e triste só glorificadora da vítima cujo nome no local é uma resposta e um depoimento."


FONTE:  Raimundo Nonato, em "Árvores de Costado - Histórias que a História esquece" 1981, p.38

quinta-feira, 8 de maio de 2025

FUNDADOR DA ANRL GANHA ESCULTURA NO JARDIM DA ARCÁDIA


"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. (Mt 7.21)"


 Já foi dito que um dia chegaremos ao Céu e ficaremos perplexos com as surpresas que teremos.   

--Eita! fulano não tá aqui?

Mas, em contrapartida veremos que outras estarão. Creio que entre essas, hei de ver Câmara Cascudo, esse gênio maravilhoso, que tanto bem deixou para nós no campo cultural.

Poeta Diogenes da Cunha Lima, presidente da ANRL e doador da escultura

Terça-feira passada, 6 de maio, a Academia Norte-rio-grandense de Letras-ANRL inaugurou uma escultura, em seu jardim,  representando Câmara Cascudo. Ele está sentado, no banco, recepcionando quem ali for visitar a instituição.

Veio-me a inspiração, e escrevi estas estrofes: 

Cascudo senta no banco
Diante da criação
Seu olhar está voltado
À entrada, ao portão,
Dizendo aos que chegam:
"Bem-vindo a este chão!

Esta Casa tem tesouro,
História, literatura
Conheça os imortais
E a sua gramatura
Eu sou Câmara Cascudo,
Minha alma é a cultura".

segunda-feira, 28 de abril de 2025

SOCIEDADE BRASILEIRA DE FOLCLORE - 84 ANOS DA SUA FUNDAÇÃO

    
Quarta-feira próxima, lembramos a data de fundação da Sociedade Brasileira de Folclore, fundada em Natal-RN, por Câmara Cascudo. 84 anos passaram por debaixo da ponte da História. Até quando funcionou esta Sociedade, pioneira no Brasil?  Ainda não tenho a resposta, e enquanto a busco,  ofereço aos leitores o texto de Raimundo Nonato.




Câmara Cascudo



"SOCIEDADE BRASILEIRA DE FOLCLORE - NATAL/RN


 O verbete dá motivo para o comentário de hoje.

    Fundada a 30 de abril de 1941, na Rua da Conceição, 393, residência do escritor Câmara Cascudo, a Sociedade Brasileira de Folk-Lore teve seus primeiros estatutos discutidos e aprovados na mesma data e publicados na República, órgão oficial, na edição de 7 de maio. Foram registrados no Primeiro Cartório Judiciário, privativo das pessoas jurídicas do termo e comarca do Natal, sob o número de ordem 19, folhas 13 e verso do Livro A, nº 1, do Registro Civil de Pessoas Jurídicas, pelo respectivo oficial Manuel Procópio de Moura, em 29 de maio de 1941. Reunidos em folheto, foram abundantemente distribuídos."
    Preceituavam ditos estatutos:
                "Art. 1º A Sociedade Brasileira de Folk-Lore, fundada a 30 de abril de 1941, com sede e foro na Cidade do Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, reconhecida de utilidade pública pela Lei Estadual nº 41, de 20 de outubro de 1948, com duração ilimitada, destina-se a pesquisa, estudo, sistematização e defesa do folk-lore em todas as suas manifestações.
                Art. 2º A SBFL, compor-se-á de 35 membros efetivos e um número ilimitado de titulares residentes noutros Estados do Brasil e cidadãos estrangeiros."
    A Diretoria 1949-1954, da SBFL, estava assim constituída:
         Dr. Luís da Câmara Cascudo. Presidente e fundador, em 30-4-41. Presidente perpétuo por deliberação unânime da sociedade, em 7-4-49.
     Desembargador Luís Tavares de Lira - Vice-Presidente
     Dr. Juvenal Lamartine de Farias - Vice-Presidente
     Manuel Rodrigues de Melo - Secretário Geral
     Dr. Veríssimo de Melo - Secretário
     Hélio Galvão - Secretário
     Dr. Paulo Pinheiro de Viveiros - Presidente do Conselho Cultural

Membros efetivos - Residentes em Natal:

    Aderbal de França
    Dr. Aldo Fernandes Raposo de Melo
    Deputado Aluízio Alves (residente no Rio de Janeiro)
    Dr. Américo de Oliveira Costa
    Prof. Antonio Gomes da Rocha Fagundes
    Desembargador Antonio Soares de Araújo
    Prof. Clementino Câmara
    Deputado Dioclécio Dantas Duarte (residente no Rio)
    Dr Eloy de Souza
    Desembargador Felipe Neri de Brito Guerra
    Hélio Galvão
    Dr. Jerônimo Rodrigues (residente no Rio de Janeiro)
   Dr. Jerônimo Vingt-un Rosado Maia (residente na cidade de Mossoró - Rio Grande do Norte)
    Dr Juvenal Lamartine de Farias
    Dr. Luís da Câmara Cascudo
    Luís Eugênio Ferreira Veiga
    Desembargador Luís Tavares de Lira
    Manuel Rodrigues de Melo
    Dr. Nestor dos Santos Lima
    Dr. Osvaldo Lamartine
    Dr. Paulo Pinheiro de Viveiros 
    Prof. Raimundo Nonato da Silva
    Sergio Severo de Albuquerque Maranhão
    Prof. Severino Bezerra de Melo
    Dr. Sílvio Piza Pedrosa
    Dr. Veríssimo de Melo
    Maestro Waldemar de Almeida
    Os trabalhos da etnografia e da pesquisa ficaram enriquecidas no Rio Grande do Norte com a instalação desta sociedade de cultura, que marca o espírito de pioneirismo de Luís da Câmara Cascudo - o incurável provinciano, o maior dos folcloristas do Brasil."




Fonte: Raimundo Nonato, em "Árvores de Costado - histórias que a história esquece". Ano, 1981, páginas 195 e '96.


quinta-feira, 28 de novembro de 2024

VÍDEO DO VANDALISMO NO MEMORIAL CÂMARA CASCUDO


 

NOTA DA FJA SOBRE O MEMORIAL CÂMARA CASCUDO

 A Fundação José Augusto vem a público manifestar sua profunda consternação diante dos atos de depredação ocorridos no último domingo, dia 24 de novembro, contra o histórico Memorial Câmara Cascudo, o que resultou em danos significativos à sua estrutura física. Tais ações representam uma grave violação ao patrimônio cultural do Estado, afetando não apenas um espaço de preservação histórica, mas também o valioso acervo que ali se encontra, o qual faz parte da memória e identidade do povo potiguar.
Imediatamente após o ocorrido, a Fundação José Augusto adotou todas as providências cabíveis, acionando as autoridades competentes para garantir a identificação e responsabilização dos responsáveis por esse atentado ao patrimônio público. As investigações, em andamento, estão sendo conduzidas com o rigor da lei, contando com a atuação conjunta da Polícia Federal, Polícia Civil e Militar, que seguem apurando os fatos de maneira sigilosa e diligente.
Neste momento, a Fundação José Augusto reitera seu compromisso com a preservação da cultura e da memória de nosso Estado, e acompanha de perto todos os desdobramentos da investigação, reafirmando sua disposição em colaborar com as autoridades para que os responsáveis sejam devidamente punidos, dentro dos limites da lei. A proteção dos bens culturais da sociedade potiguar permanece como prioridade, e os danos ao acervo e à infraestrutura do Memorial Câmara Cascudo serão rigorosamente avaliados e reparados, sempre com o objetivo de manter a integridade desse importante patrimônio para as futuras gerações.
A Fundação agradece, desde já, o apoio da população e de todos que compreendem a relevância de espaços como o Memorial Câmara Cascudo para o fortalecimento da cultura e da história do Rio Grande do Norte.

Natal, 27 de novembro de 2024

GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO - FJA

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

O MESTRE CÂMARA CASCUDO



 Eu converso com Câmara Cascudo. Faço isso com certa constância e tenho admiração imensa pelo Mestre.

Na verdade, em meus encontros com ele, eu uso e abuso do sentido da visão e audição. Pouco falo, muito aprendo. Ficar longe de Câmara Cascudo é optar por não colher ensinamentos, os mais diversos. Estar com ele, ah! é ter a certeza de mergulhar em mundo repleto de sabedoria.

Essas "conversas" cascudianas não acontecem no sobrado onde residiu por muitos anos. As aulas que dele recebo são ensinos preciosos, e se dão de forma prazerosa com o instrumento chamado livro.

O Mestre Cascudo é o melhor no Rio Grande do Norte. Cada página que deixou escrita corresponde a uma célula da sua imortalidade literária. Escreveu sobre os mais variados assuntos. Foi um "provinciano incurável", que através do conjunto das suas obras se fez universal.

Câmara Cascudo não deve ser esquecido, e as gerações atual e do porvir são convidadas a com ele dialogar. Mãos aos livros e viva o Mestre!

Francisco Martins - 24 de outubro de 2024.


quinta-feira, 10 de outubro de 2024

JOÃO GERARDO HENRIQUE - UM "CAPITÃO ALEMÃO"

 

Câmara Cascudo
A Revista Brasileira foi criada em  14 de julho de 1855. Já passou por várias fases, e somente em  julho de 1941, na  V fase, começou a ser publicada pela Academia Brasileira de Letras. Câmara Cascudo escreveu um ensaio que  publicado na Revista Brasileira, em junho de 1935. Naquele distante ano, a Revista Brasileira era editada por Batista Pereira, genro de Rui Barbosa. Vale a pena conhecer este trabalho de Câmara Cascudo que tem como título: "Um Honhensollern no sertão do nordeste", que brevemente irá completar 90 anos. Quem desejar receber o artigo é entrar em contato comigo, que envio o arquivo pelo whatsApp (84) 8719-4534.


quarta-feira, 25 de setembro de 2024

terça-feira, 20 de agosto de 2024

CASCUDIANAS

 Nem só dos livros circunspectos de pesquisa sobre a história de tudo pode-se ler o Mestre Cascudo. O sabor da sua leitura está, principalmente, na prosa humorada e despojada dos livros "Pequeno Manual do Doente Aprendiz", "Na Ronda do Tempo", "O Tempo e Eu, "Ontem". São viagens sobre si mesmo. Cascudo falando de Cascudo. Pensamentos, flagrantes da vida comum, refletidos com a humildade de um sábio ("Ah! Se a gente soubesse o que julga saber...") 

Longe o propósito de comentar, criticar a sua vasta obra já por tantos analisada e estudada em livros, palestras, etc, mas o conjunto de sua produção mental, post-centenário, não pode deixar de ser comentada, re-estudada e debatida permanentemente porque ele escreveu para a humanidade. Ambas são eternas.

Detenho-me, tão somente, a pinçar algumas reflexões cascudianas e poucas histórias ditas ao sabor da pena, já que o mestre é mais lido fora do que dentro do RN.

01) Do seu "Pequeno Manual do Doente Aprendiz" (um dos três mais "íntimo e confidencial" dos seus livros) narra a seguinte história: O cel. Toscano de Brito contou-me um episódio documentador. Era capitão, morava no Alecrim, tomando o bonde elétrico diante do Asilo de Alienados. Uma tarde, vestido à paisana, Toscano aguardava o veículo, desenhando na areia com a ponta da bengala. Detrás da janela gradeada de ferro um internado olhava-o. Começou o diálogo: "Que está fazendo aí?". "Nada". "E porque está riscando o chão?" "Por nada". "Tome cuidado! Migué de Lianô começou assim...". Miguel de Lianor era o próprio doido conversador.

02) Reflexões: "Ninguém está sozinho quando pensa", "Análise integral desfaz o objeto". "Aquele monturo é o resíduo das coisas úteis que envelheceram". "Técnica! Quantos crimes cometidos em teu nome!...". "Alguns vivem como os velhos viciados de cachaça: fazem caretas mas bebem sempre". "Homem irado Homem armado". "Cinquenta por cento do que dizemos é inútil". "Ah! Se a gente soubesse o que julga saber...".

03) "Luís Antonio, meu professor de História Natural, de sedutora eloquência, era ateu... Com a graça de Deus. Uma vez, dando uma injeção na garganta de um internado, a agulha soltou-se do êmbolo: "Valha-me Nossa Senhora!",exclamou.

04) "Numa operação de apendicite, então extraordinária, Januário Cicco, também ateu, não encontrou o apêndice. Procurou-o, já inquieto, e quando o deparou, atrás do fígado, explodiu: "Graças a Deus! Cá está este cachorro...".

05) "Uma estória muito gozada, no velho tempo do Hospital Juvino Barreto, foi o Dr. Januário Cicco, diretor e cirurgião devoto grande sacerdote do bisturi, tem sido compelido a extrair um molar com o Clidenor Lago, o chefe dessa sessão. Clidenor deu a injeção e voltou-se abrindo a gaveta para escolher o boticão. Quando olhou para a cadeira, Januário havia desaparecido, com injeção e tudo...".

Valério Mesquita

quarta-feira, 31 de julho de 2024

CÂMARA CASCUDO - CONTINUA VIVO NA CULTURA MUNDIAL


 Ontem, 30 de julho, é a data que marca a saída (material) de Câmara Cascudo deste mundo. Foi-se o corpo, elevou-se a alma, ficou a obra, e que obra! Gigantesca como o Brasil. 38 anos  fez ontem do seu encantamento. Hoje, por coincidência, quando estava fazendo a minha leitura, deparo-me com esta curiosidade que Josué Montello registrou em seu diário, quando vivia no Peru, no ano de 1953, sendo professor de Literatura Brasileira, na Universidade de São Marcos.

Viva Cascudo!


quarta-feira, 26 de junho de 2024

QUANDO A HISTÓRIA É ESCRITA EM FERRO E IMAGEM

 Sempre que posso eu gosto de sair fotografando meu espaço. Registro com a câmera do celular coisas que aparentemente podem não ter muito significado ou não interessar a quase ninguém, mas a mim, sim. Tenho interesse por coisas da História, as pequenas, que falam dos grandes. Foi assim, que em 2008, 16 anos passados, eu resolvi andar pelas ruas do bairro da Ribeira, em Natal. Fotografei  o local onde outrora foi uma casa que serviu de berço à Câmara Cascudo. No antigo ponto comercial, que hoje não mais funciona, existia uma placa sinalizando que ali nasceu nosso gênio cultural.



A placa era de metal, um presente dos amigos do escritor, que a fixaram naquela parede em dezembro de 1955. Tempos depois da minha visita, a placa foi extraída pelos vândalos, deve ter servido de moeda para compra de drogas.

O teor da placa:  "Nesta casa, em 30 de dezembro de 1898, nasceu o insigne escritor, Dr. Luis da Câmara Cascudo historiador da Cidade do Natal, Mestre do Folclore e glória definitiva da cultura brasileira. Homenagem dos seus amigos. Natal, 30 de dezembro de 1955".

Francisco Martins - 26 de junho de 2024.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

HENRIQUE DIAS - UM HERÓI OU ANTI HERÓI?

 Foi no dia 23 de novembro de 1647, portanto, passados já 376 anos, que aconteceu uma matança cruel nas terras do que seria mais tarde o município de Arez-RN. A Lagoa de Guaíra estava domina pelos flamengos. Dela eles tiravam peixes e das suas margens,  graças a mandioca, farinha.  Alimentos que ajudavam a abastecer a tropa.


De Pernambuco partiu Henrique Dias, negro, juntamente com outros homens, para lutar contra os Holandeses.  Deixo Câmara Cascudo contar: "Henrique Dias chegou ao escurecer, atravessando a lagoa com água pela cintura e atacando imediatamente...Henrique Dias passou a noite matando. Pela manhã não existia gente com vida na fortificação. Soldados flamengos, negros, escravos, mulheres, crianças".


Fonte: O FORTIM DE GUARAÍRAS, em História do Rio Grande do Norte -  Luis da Câmara Cascudo - 2a edição  Achiamé/FJA, páginas 79 e 80.



terça-feira, 19 de setembro de 2023

PROGRAMAÇÃO OFICIAL CARIRI CANGAÇO PERSONALIDADE: CÂMARA CASCUDO





CARIRI CANGAÇO "PERSONALIDADE"
LUIS DA CÂMARA CASCUDO
O HOMEM, A OBRA, O MITO

Natal, Rio Grande do Norte
Nordeste do Brasil.

21 de setembro de 2023- Quinta-Feira


NOITE

NOITE SOLENE DE ABERTURA

18h30 Auditório da UNI-RN
Rua Prefeita Eliane Barros, 2000 - Tirol - Natal - RN

Formação da Mesa Solene de Abertura
DALADIER PESSOA CUNHA LIMA - Magnifico Reitor da UNI
MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço
DALIANA CASCUDO - Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo
HONÓRIO DE MEDEIROS - Instituto Histórico e Geográfico do RN

19h Hino Nacional

19h15 - Entrada do Estandarte do Cariri Cangaço
CAPITÃO QUIRINO e CÉLIA MARIA

19h40 - Apresentação do Cariri Cangaço
Conselheira LUMA HOLANDA - João Pessoa PB
Conselheiro BISMARCK OLIVEIRA Pocinhos PB

19h50 – Cumprimentos aos Convidados
DALADIER PESSOA CUNHA LIMA - Magnifico Reitor da UNI
MANOEL SEVERO BARBOSA- Curador Cariri Cangaço
DALIANA CASCUDO - Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo
HONÓRIO DE MEDEIROS - Instituto Histórico e Geográfico do RN

20h30 – Entrega de Diplomas "Mérito Cultural Cariri Cangaço"

1.UNI - RN - REITOR DALADIER PESSOA CUNHA LIMA
Entrega de Comenda por Conselheiro IVANILDO SILVEIRA

2.Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo - DALIANA CASCUDO
Entrega de Comenda por Conselheiro LUIZ RUBEN BONFIM

3. Instituto Histórico e Geográfico do RN - HONÓRIO DE MEDEIROS
Entrega de Comenda por Conselheiro PROFESSOR PEREIRA

20h45 – Comenda "Personalidade Eterna do Sertão"

LUIS DA CÂMARA CASCUDO
Camilla Cascudo Barreto Maurício
Entrega de Comenda por Conselheiros
CARLOS ALBERTO DA SILVA e KYDELMIR DANTAS

22 de setembro de 2023- Sexta-Feira

MANHÃ

8h - CONFERÊNCIAS
Auditório da UNI-RN
Rua Prefeita Eliane Barros, 2000 - Tirol - Natal - RN

8h30 - MESA 1
"Câmara Cascudo - O homem..."

Daliana Cascudo Roberti Leite
Presidente do Ludovicos – Inst. Câmara Cascudo
Camilla Cascudo Barreto Maurício
Vice-Presidente do Ludovicos – Inst. Câmara Cascudo
Diógenes da Cunha Lima
Presidente da Academia Norte-Riograndense de Letras

10h30 - MESA 2
"Cascudo e o Direito"
Problemáticas de Fundo Cultural no Universo Nordestino
Fábio Fidelis de Oliveira
Professor de Direito, Doutor em Ciências Histórico-Jurídicas pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e Coordenador Editorial da Revista de Estudos Jurídicos do UNI-RN.
Amanda Oliveira da Câmara Moreira
Professora de Direito, Mestra em Direito Constitucional pela UFRN e Presidente da Comissão de Direito da Moda (OAB RN)
Juan Pablo C. de Carvalho Filho
Discente do Curso de Direito do UNI-RN, membro do Projeto de extensão “Scientia et Lux”.

12h ALMOÇO

14h30 - MESA 3
"Câmara Cascudo - A Obra..."

Vicente Serejo
Jornalista, Prof. Universitário, Escritor e
Membro da Academia Norte-Riograndense de Letras.
Humberto Hermenegildo de Araújo
Prof. Titular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Doutor em Letras, Escritor e Membro da Acad. Norte-Riograndense de Letras
Carlos Alberto da Silva
Pesquisador , Conselheiro Cariri Cangaço

16h30 - MESA 4
"Câmara Cascudo - O Cangaço..."
André Pignataro
Diretor de Pesquisa do Instituto Histórico e Geográfico do RN
Sérgio Trindade
Professor Doutor e Historiador
Kydelmir Dantas
Poeta e Escritor , Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, associado do Instituto Histórico do RN e Conselheiro Cariri Cangaço

18h ENCERRAMENTO

23 de setembro de 2023- Sábado

MANHÃ

8h - VISITAS

8h30 Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
Rua da Conceição, 622 - Cidade Alta, Natal - RN

10h Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo
Av. Câmara Cascudo, 377 - Cidade Alta, Natal - RN

11h30 Solenidade de Encerramento

INSCRIÇÕES
Evento aberto ao público, sem cobrança de taxas
Mande sua Inscrição com:
NOME , EMAIL E INSTITUIÇÃO
Para o Zap do Cariri Cangaço
85 997408297



CARIRI CANGAÇO "PERSONALIDADE"
LUIS DA CÂMARA CASCUDO
O HOMEM, A OBRA, O MITO
Natal, Rio Grande do Norte
Nordeste do Brasil





Realização
Conselho Alcino Alves Costa - Cariri Cangaço

Apoio
Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo
IHGRN -Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte
UNI RN - Centro Universitário do Rio Grande do Norte

Institucional
SBEC - Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço
ABLAC - Academia Brasileira de Letras e Artes do Cangaço
GECC - Grupo de Estudos do Cangaço do Ceará
GPEC - Grupo Paraibano de Estudos do Cangaço

terça-feira, 17 de maio de 2022

UM RARO LIVRO DE CASCUDO EM MINHA CASA

 Na minha modesta e pequena biblioteca particular eu tenho alguns escritores que são especiais. Entre eles está Câmara Cascudo, o maior do Rio Grande do Norte e  um dos melhores do Brasil. Qual não foi minha alegria quando esta semana eu consegui um livro raríssimo dele, trata-se de "30 Estórias Brasileiras".

Esse livro é muito especial para mim, principalmente pelo registro das estórias populares que nele há. Na capa, a foto de Luísa Freire, Dona Bibi. Cascudo escreve: "Luísa Freire chegou em nossa casa no mês de São João de 1915. Era maior de quarenta anos, viúva e avó. Nascera na povoação de Contendas, perto da Barra de Inácio de Góis. Mocinha, passou para Estivas, Guarapes e daí a Natal no Rio Grande do Norte...Era mulher branca, de olhos castanhos, cabelo fino, conversando fluentemente".

Essa Bibi foi a contadora das histórias que estão nesse livro. 

Francisco Martins

17 maio de 2022


terça-feira, 3 de maio de 2022

VANDALISMO NA ESTÁTUA DO MEMORIAL CÂMARA CASCUDO, EM NATAL

 A estátua do Memorial Câmara Cascudo foi vítima de ação de vândalos, que picharam as mãos do homenageado na cor vermelha. Uma atitude inaceitável para com aquele que tanto fez pela nossa cultura brasileira e é o que temos de melhor no Rio Grande do Norte, quando se trata de folclore e seus campos correlatos e outras áreas.

Foto de Adriano Abreu - site da Tribuna do Norte

Várias instituições culturais emitiram nota de repúdio, entre elas o Instituto Ludovicus, o Conselho Estadual de Cultura do Rio Grande do Norte, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e a Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.


domingo, 2 de janeiro de 2022

CORDEL "AS RUAS CASCUDIANAS" - 2ª ETAPA DA PRIMEIRA EDIÇÃO

 O poeta Mané Beradeiro  está montando a segunda etapa, da primeira edição do cordel "As Ruas Cascudianas", um  texto que narra de forma poética, todas as ruas de Natal  onde morou Câmara Cascudo, o "Provinciano Incurável". A primeira edição são de 500 exemplares. A metade já foi feita E vendida. Agora, no primeiro semestre de 2022, o poeta pretende encerrar a edição, com os 250 livros restantes.

Todas as capas são feitas de caixa de papelão, no estilo cartonero,  através do selo da Carolina Cartonera, editora informal fundada pelo poeta. As 500 capas são personalizadas, nenhum é igual a outra. Se você deseja adquirir o livro, pode entrar em contato pelo whatsApp (84) 9.8719-4534. O valor com frete para todo o Brasil é de R$ 10,00 (dez reais). Segue abaixo as primeiras capas disponíveis para venda em 2022.

















segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

FLORÊNCIO GOMES DE OLIVEIRA - UM PADRE CORDELISTA?

 Não posso deixar que o ano de 2021 termine sem escrever algo sobre o poeta Florêncio Gomes de Oliveira,  que se tornou padre, nascido na localidade de Monte Alegre, próximo de São Sebastião, em Mossoró-RN. O Mestre Câmara Cascudo escreveu uma Acta Diurna sobre ele,  que foi publicada em "A República", em 15  de dezembro de 1940. Já se foram 81 anos. E por incrível que possa ser, o título da Acta continua  atual: "Um poeta esquecido, o Padre Florêncio Gomes de Oliveira".

Cascudo nos diz que ele versejava em sextilhas, setissilábicas, portanto, o que nos impede de afirmar que Padre Florêncio Gomes de Oliveira foi poeta cordelista? Certa feita, em 2 de março de 1843, o Padre Florêncio Gomes de Oliveira, quando era vigário de Caraúbas-RN,  recebeu o seguinte mote: A dois de março se viu/ Um grande sinal no Céu/ Prognóstica ser castigo/ Triste de mim que sou réu.

Sem demora, ele atendeu o desafio e versejou em decassílabos

Com cauda imensa e brilhante
De figura portentosa
de luz clara e  majestosa,
Refulgente e rutilante
Qual o raio coriscante
Que entre nuvens surgiu
Qual no espaço surgiu
Ao  Sul, ignoto Cometa
Que sem óculos nem luneta
A DOIS DE MARÇO SE VIU

Néscio Povo que de tudo
Faz fanático mistério,
Sem virtude e sem critério,
Sem ciência e sem estudo,
Diz e clama, de abelhudo,
Sem temer do Euro o véu,
Que todo o mundo é réu,
A quem Deus quer castigar
E prova para mostrar
UM GRANDE SINAL NO CÉU

A oculta natureza
De tal sorte organizou
Que indícios nos deixou,
De sua imensa grandeza
Pela vasta redondeza
Moderno astro antigo,
A girar sem ter jazigo
Fogo imenso que também
Quando os povos néscios vêm
PROGNÓSTICA SER CASTIGO

Não precisa a Providência
Para o Mundo castigar,
Vir ao Mundo apresentar
Sinal da Onipotência
Se o Mundo tem ciência
Dos castigos lá do Céu
Deixe do vício o labéu
Que nos dias dos clamores,
Triste de nós pecadores
TRISTE DE MIM QUE SOU RÉU.

Padre Florêncio Gomes de Oliveira - um bom nome para a galeria das Academias literárias.

Mané Beradeiro - 28 de dezembro 2021